O LinkedIn se propõe a ser uma rede de diálogo profissional, troca de ideias e construção de conexões. Ainda assim, cresce um fenômeno curioso e preocupante, pessoas que ostentam o selo “Open to Work”, mas demonstram, na prática, uma postura incompatível com qualquer ambiente minimamente colaborativo.

Recentemente ao participar de um debate de ideias em um post no linkedin, sobre a calamidade que São Paulo teve devido a falta de energia e a inercia da Enel, fiquei extremamente desconfortável com um comentário sobre o meu de uma pessoa que estava justamente com o selo "open to work".

A origem do meu desconforto foi simples e bastante objetiva. Fiz um comentário técnico, respeitoso e contextualizado sobre a situação da infraestrutura elétrica de São Paulo, abordando a responsabilidade de agentes públicos e agências reguladoras e o atraso estrutural evidente em grandes centros urbanos. Não houve ataque, ironia ou desqualificação de ninguém, houve apenas o complemento de uma análise e a tentativa de ampliar o debate.

A resposta que recebi, porém, expôs claramente o antagonismo. Em vez de um contra argumento técnico, com dados, fontes ou raciocínio estruturado, veio uma réplica vaga, politizada e curta, vinda de alguém que ostenta o selo “open to work”. Algo no tom de “eu pedi para você pesquisar”, sem qualquer explicação adicional ou contribuição real ao tema. O que se apresentou ali não foi diálogo, mas um gesto simbólico de superioridade moral ou intelectual, completamente vazio de conteúdo.

Esse tipo de resposta diz muito, e não sobre quem comentou inicialmente, mas sobre quem replica. Demonstra dificuldade em sustentar uma discussão pública, incapacidade de lidar com concordância crítica e, principalmente, uma postura defensiva que substitui argumento por desdém. Em uma rede profissional, isso é um sinal vermelho.

Finalizei a "conversa" com o individuo colocando um novo comentário questionando: “novamente resposta vaga, por isso do selo?”, o que se evidencia não é provocação gratuita, mas a exposição do paradoxo. Como alguém que se declara aberto a oportunidades profissionais se mostra fechado ao diálogo, à explicação e ao mínimo exercício de convivência intelectual?

O selo “Open to Work” deveria comunicar abertura, curiosidade, disposição para aprender e trocar. Mas, em muitos casos, ele vem acompanhado de comportamentos que afastam qualquer gestor, líder ou recrutador atento. Respostas evasivas, tom professoral sem lastro técnico, desqualificação implícita do outro e ausência total de contribuição prática ao debate.

O problema não é discordar, nem pedir fontes, nem sugerir pesquisa. O problema é fazer isso sem educação, sem contexto e sem oferecer absolutamente nada em troca à discussão. Isso não é rigor técnico, é arrogância performática. E o mercado sabe diferenciar uma coisa da outra.

Outro ponto crucial é que o LinkedIn é um ambiente de observação silenciosa. Enquanto dois perfis interagem, dezenas ou centenas de pessoas leem, avaliam e formam opinião. Muitas dessas pessoas têm poder de decisão, contratam, indicam, convidam para projetos ou simplesmente descartam mentalmente perfis que demonstram baixa maturidade relacional, eu me incluo nesse leque de pessoas.

A verdade incômoda é que competência técnica sem competência social perdeu valor. Em um mundo complexo, interdependente e orientado à colaboração, saber coexistir é tão importante quanto saber calcular, projetar ou analisar. Quem não consegue sustentar uma conversa respeitosa em uma rede pública dificilmente conseguirá fazê-lo dentro de uma equipe, sob pressão, prazos e divergências reais e além disso muito provavelmente essa pessoa terá sérios problemas em aceitar a hierarquia existente em qualquer empresa.

Esse é o verdadeiro antagonismo. Declarar-se disponível para o mercado enquanto se mostra indisponível para o diálogo. Pedir oportunidades enquanto repele conexões. Buscar trabalho enquanto constrói, comentário após comentário, uma reputação de conflito, não de colaboração.

No fim, o selo não engana ninguém por muito tempo.

O comportamento sempre fala mais alto. 

E, no LinkedIn, cada comentário é uma entrevista pública acontecendo em tempo real.


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