Há algum tempo, um empresário afirmou, de forma simples e direta: "Quem critica os bilionários esquece os empregos que eles criam."
A frase, por si só, não continha nenhuma defesa incondicional dos super ricos, nem afirmava que toda fortuna é moralmente justa ou socialmente perfeita. Ainda assim, bastou ser publicada para provocar uma enxurrada de críticas, especialmente no LinkedIn, onde parte dos debates econômicos parece seguir um roteiro previsível.
Os comentários vieram em série:
"Quem cria emprego é a demanda."
"Ninguém contrata por bondade."
"Bilionários exploram trabalhadores."
"Pagam poucos impostos."
"Filantropia é marketing."
"Empresa precisa de funcionário, portanto não há mérito."
São frases que possuem algum elemento de verdade, mas que, isoladas de contexto, transformam uma discussão extremamente complexa em uma disputa entre heróis e vilões.
O problema nunca foi criticar bilionários. A crítica é saudável, necessária e faz parte de qualquer democracia madura. O problema surge quando a crítica abandona a análise e passa a funcionar como slogan.
Vivemos uma época em que muitas pessoas parecem preferir explicações simples para fenômenos profundamente complexos, acham que vídeos divulgados por "especialistas" de Tik Tok são a verdade absoluta. A economia, entretanto, não costuma funcionar dessa maneira.
Uma das respostas mais repetidas afirma que "quem cria empregos é a demanda, não o empresário". Essa afirmação possui um fundo de verdade. Sem consumidores não existe mercado. Mas ela ignora metade da equação. A demanda, sozinha, não organiza recursos.
Ela não compra terrenos.
Não projeta fábricas.
Não desenvolve produtos.
Não monta equipes.
Não assume financiamentos.
Não investe bilhões em pesquisa.
Não enfrenta anos de prejuízo esperando que um negócio amadureça.
Toda atividade econômica depende de alguém disposto a transformar uma oportunidade percebida em um empreendimento real. É justamente nesse ponto que surge o empreendedor. Ele pode ser dono de uma pequena oficina, de uma startup de tecnologia ou de uma multinacional. O tamanho muda. O princípio permanece o mesmo.
Antes de existir um emprego, normalmente existiu alguém disposto a correr riscos que a maioria das pessoas prefere evitar.
Quando uma empresa se torna gigantesca, costuma-se observar apenas o resultado final. Esquece-se completamente do caminho. A maioria das empresas não chega perto do sucesso.
Segundo dados do IBGE, aproximadamente 60% das empresas brasileiras encerram suas atividades antes de completar cinco anos, evidenciando que empreender está longe de ser um caminho garantido para enriquecimento.
Nos Estados Unidos, estudos da U.S. Bureau of Labor Statistics mostram comportamento semelhante: boa parte dos novos negócios fecha poucos anos após sua abertura.
Quando um empreendimento fracassa, dificilmente vemos campanhas nas redes sociais defendendo o empreendedor que perdeu patrimônio, economias da família e anos de trabalho.
Mas quando alguns poucos sobrevivem, crescem e acumulam enorme riqueza, frequentemente são tratados como se o sucesso tivesse sido automático ou inevitável.
É correto afirmar que empresas existem porque consumidores compram. Mas consumidores, isoladamente, não organizam cadeias produtivas. Tomemos como exemplo a indústria automobilística. Milhões de pessoas desejam automóveis. Isso não significa que automóveis simplesmente apareçam.
É necessário coordenar milhares de fornecedores, siderúrgicas, fabricantes de componentes eletrônicos, logística internacional, pesquisa, engenharia, financiamento, concessionárias e assistência técnica.
Esse processo exige enormes volumes de capital e gestão.
É justamente essa coordenação que caracteriza o empreendedorismo em larga escala.O economista Joseph Schumpeter, um dos principais estudiosos do capitalismo, defendia que o empreendedor é o agente responsável pela inovação e pela chamada "destruição criativa", processo que substitui modelos antigos por soluções mais eficientes.
Sem essa capacidade organizacional, a demanda permanece apenas como desejo.
Grandes empresas realmente geram empregos?
Sim. E isso não é opinião. É um fato estatístico.
- A Amazon emprega mais de 1,5 milhão de pessoas em todo o mundo, distribuídas entre centros de distribuição, tecnologia, computação em nuvem, logística e serviços.
- A Walmart mantém cerca de 2,1 milhões de colaboradores, sendo o maior empregador privado do planeta, com operações em diversos países.
- A Foxconn, maior fabricante mundial de produtos eletrônicos sob encomenda, emprega aproximadamente 1,3 milhão de pessoas, produzindo equipamentos para empresas como Apple, Sony, Dell e diversas outras marcas globais.
- A Accenture possui mais de 740 mil profissionais distribuídos em mais de uma centena de países, atuando nas áreas de consultoria, tecnologia e serviços digitais.
- A Volkswagen Group emprega cerca de 680 mil pessoas em suas operações globais, sendo uma das maiores empregadoras da indústria automobilística.
- O Grupo Tata, da Índia, reúne mais de 1 milhão de colaboradores em empresas dos setores de tecnologia, siderurgia, automóveis, energia, hotelaria e serviços financeiros.
No Brasil, grandes empregadores como Ambev, Vale, Petrobras, Magazine Luiza, JBS, Banco do Brasil e inúmeras redes varejistas sustentam centenas de milhares de empregos diretos e milhões de empregos indiretos ao longo de suas cadeias produtivas.
Isso significa que seus controladores são moralmente perfeitos? Obviamente não.
Significa apenas reconhecer que grandes organizações possuem enorme impacto sobre a geração de trabalho e renda.
Negar esse fato não melhora o debate. Apenas o torna menos objetivo.
Outra narrativa bastante comum afirma que bilionários somente enriquecem explorando trabalhadores. A realidade é mais complexa. Existem empresários que enriqueceram mediante práticas condenáveis. Existem casos comprovados de corrupção, cartel, abuso de mercado e exploração de mão de obra. Esses casos devem ser investigados e punidos. Mas transformar exceções em regra também é um erro analítico.
Empresas criam valor de diversas maneiras. Algumas aumentam produtividade. Outras reduzem custos. Outras desenvolvem novas tecnologias. Outras criam mercados inteiramente novos.
Quando Steve Jobs e Steve Wozniak fundaram a Apple em uma garagem, ninguém imaginava que aquela pequena empresa ajudaria a criar milhões de empregos diretos e indiretos em desenvolvimento de software, fabricação, design, logística, aplicativos e serviços.
Quando Jeff Bezos iniciou a Amazon vendendo livros pela internet, a empresa passou anos operando com margens extremamente baixas, reinvestindo praticamente todo o lucro em expansão. Hoje ela influencia logística, computação em nuvem, inteligência artificial e comércio eletrônico em escala mundial.
Pode-se discordar de diversas decisões dessas empresas. Mas seria intelectualmente desonesto negar que elas produziram enorme valor econômico.
Outro argumento frequente afirma que bilionários só existem porque utilizam estradas, universidades públicas, internet, sistema financeiro e infraestrutura construída pelo Estado. Isso também é verdadeiro. Nenhuma economia moderna funciona sem instituições.
Mercados dependem de segurança jurídica, crédito, educação, energia, transporte e estabilidade política.
Contudo, reconhecer essa dependência não significa concluir que qualquer pessoa produziria empresas globais apenas porque dispõe da mesma infraestrutura. Se assim fosse, todos os países com rodovias, universidades e trabalhadores qualificados produziriam quantidades semelhantes de grandes empresas.
Na década de 1980, quando cursava o então 2º Grau, um professor nos propôs a leitura de um livro que marcou profundamente minha forma de enxergar o empreendedorismo: Projeto Jari.
Naquela época, eu pouco conhecia sobre economia ou grandes negócios, já que eu tinha 16 anos e minha vida limitava-se a trabalhar o dia todo em uma metalúrgica para pagar meu curso técnico (2o. grau) a noite. O livro, entretanto, apresentava a história de um empreendimento que parecia saído da ficção. Em plena Amazônia, um empresário americano decidiu construir praticamente uma cidade inteira para produzir celulose. Estradas, ferrovia, porto, hospital, escolas, moradias, geração própria de energia e até uma gigantesca fábrica construída no Japão e transportada por mais de 25 mil quilômetros pelo oceano até o Rio Jari. Era algo difícil de imaginar para um estudante da década de 1980.
Por trás daquele projeto ambicioso estava o bilionário Daniel K. Ludwig, um dos homens mais ricos do mundo em sua época. O que mais me chamou a atenção, anos depois, foi descobrir que sua fortuna não havia surgido por acaso. Ludwig construiu um dos maiores impérios de transporte marítimo do planeta e, durante a Segunda Guerra Mundial, seus estaleiros e empresas participaram do gigantesco esforço logístico dos Estados Unidos. Ele introduziu métodos de construção naval por soldagem que aceleraram significativamente a produção de embarcações em um momento crítico da guerra, além de expandir uma frota que seria fundamental para o transporte de suprimentos e combustíveis.
É interessante observar como um mesmo empresário percorreu dois caminhos completamente distintos. Primeiro, ajudou a construir a infraestrutura marítima que fortaleceu a capacidade logística da maior potência militar do século XX. Depois, voltou seus recursos para um dos maiores projetos privados já realizados na Amazônia, apostando que o mundo precisaria cada vez mais de papel e celulose. Sua visão sobre o crescimento da demanda global estava correta, embora vários aspectos técnicos do Projeto Jari tenham fracassado e o empreendimento tenha acumulado prejuízos bilionários antes de ser transferido para um grupo de investidores brasileiros.
Essa lembrança nunca saiu da minha memória porque me ensinou uma lição que continua atual. Grandes empresários podem errar, perder fortunas e até fracassar em projetos monumentais. O próprio Daniel Ludwig investiu mais de um bilhão de dólares em valores da época no Projeto Jari e não obteve o retorno esperado. Ainda assim, ninguém pode afirmar que ele não gerou riqueza, conhecimento, infraestrutura, tecnologia e milhares de empregos ao longo de sua trajetória. Talvez esse seja um dos maiores equívocos dos debates atuais: julgar o patrimônio acumulado sem olhar para a história construída para chegar até ele.
Uma das discussões mais relevantes envolve tributação sobre grandes fortunas e renda. Esse é um tema legítimo.
Organismos internacionais como a OCDE e o FMI publicam estudos constantes sobre desigualdade, concentração patrimonial e desenho eficiente de sistemas tributários.
Existe espaço para aperfeiçoamentos.
Ao mesmo tempo, economistas alertam que tributação mal planejada pode provocar fuga de capitais, redução de investimentos, menor competitividade internacional e desestímulo à inovação. Não existem soluções simples.
Transformar todo esse debate em frases como "os ricos não pagam impostos" empobrece uma discussão que exige conhecimento técnico.
No início dos anos 2000 assisti, na HBO, ao documentário Born Rich, produzido por Jamie Johnson, herdeiro da fortuna da Johnson & Johnson. Ao contrário do que muitos imaginam, o filme não romantiza a riqueza. Pelo contrário, expõe um universo que, em diversos momentos, chega a causar desconforto.
Uma das cenas que mais me marcou mostrava um jovem herdeiro completamente perdido. Ele dizia ao pai que já havia experimentado tudo o que o dinheiro podia proporcionar e simplesmente não sabia mais o que fazer da vida. A resposta foi tão surreal quanto simbólica: algo na linha de "por que você não coleciona borboletas?".
O que mais me impressionou, porém, não foi a sugestão em si, mas o contexto. Tratava-se de uma família controladora de um dos maiores grupos empresariais do planeta. O patriarca admitia que praticamente nunca visitava as empresas, não conhecia sua operação, seus funcionários ou seus desafios. Sua relação com aquele gigantesco império limitava-se a receber dividendos. O dinheiro simplesmente aparecia em sua conta.
Naquele momento percebi que havia uma diferença fundamental entre riqueza construída e riqueza herdada.
O empreendedor que começa do zero, assume riscos, investe, emprega pessoas, enfrenta crises, paga impostos, negocia financiamentos e muitas vezes coloca o próprio patrimônio em jogo exerce uma função econômica indispensável, mesmo que possa cometer erros ou abusos.
Já o herdeiro que jamais produziu riqueza, nunca inovou, nunca gerou um emprego sequer e vive exclusivamente dos rendimentos acumulados por gerações anteriores ocupa uma posição muito mais difícil de justificar do ponto de vista social.
É curioso observar que boa parte das críticas dirigidas aos bilionários costuma mirar justamente quem construiu empresas. Enquanto isso, aqueles que vivem exclusivamente do patrimônio herdado, sem produzir absolutamente nada, quase passam despercebidos no debate público.
Se existe uma forma de riqueza que merece uma discussão séria sobre tributação, ela não é a do empresário que ainda está criando valor. É a do rentista hereditário improdutivo, que atravessa décadas acumulando patrimônio sem assumir riscos, sem inovar, sem empreender e sem devolver à sociedade algo proporcional aos privilégios que recebeu ao nascer.
Não considero um problema alguém enriquecer criando empresas. Considero muito mais preocupante uma sociedade que naturaliza a existência de pessoas cuja única "atividade econômica" consiste em esperar que os dividendos caiam na conta enquanto outras centenas de milhares de pessoas trabalham para manter intacto um patrimônio que elas próprias jamais ajudaram a construir.
Essa, sim, parece ser uma discussão que merece muito mais atenção do que a condenação automática de todo aquele que prosperou empreendendo. Esse tipo de "ser inútil" deveria ser combatido, e deveria haver um lei mundial sobre isso, onde recursos herdados deveriam ser o suficiente para existência dessas "criaturas" e o grosso do dinheiro deveria ser destinado a fundações para o bem coletivo (não estou sendo comunista, apenas citando uma outra visão para isso).
Mas existe o outro lado dessa história, e talvez um dos maiores exemplos brasileiros seja o do engenheiro Salvador Arena.
Imigrante, chegou ao Brasil ainda criança, formou-se engenheiro pela Escola Politécnica da USP e, em 1942, fundou a Termomecanica praticamente do zero, utilizando apenas a indenização de aproximadamente 200 dólares que recebeu ao deixar seu emprego na Light. O que começou fabricando fornos para padarias transformou-se, ao longo das décadas, em uma das maiores indústrias brasileiras de transformação de metais não ferrosos, reconhecida mundialmente por sua capacidade de inovação tecnológica.
Salvador Arena sempre teve uma visão incomum sobre o papel social da empresa. Muito antes de várias obrigações trabalhistas existirem, já oferecia atendimento médico e odontológico aos funcionários, distribuía cestas básicas, concedia participação nos lucros e investia na formação técnica de seus colaboradores. Enquanto muitos empresários enxergavam apenas máquinas e balanços financeiros, ele insistia em enxergar pessoas.
Nos últimos anos de sua vida, tomou uma decisão que considero extraordinária e raríssima no capitalismo moderno. Em vez de preparar herdeiros para administrar uma fortuna bilionária, decidiu que sua verdadeira herdeira seria a sociedade.
Em 1964 criou a Fundação Salvador Arena e, em seu testamento, determinou que ela fosse a única herdeira universal de todo o seu patrimônio, incluindo o controle da Termomecanica e de suas demais empresas. Quando faleceu, em 1998, uma fortuna estimada em cerca de 800 milhões de dólares não foi dividida entre familiares, porque Salvador Arena sequer teve filhos. Toda a riqueza acumulada durante mais de cinquenta anos de trabalho passou a financiar, de forma permanente, projetos voltados à educação, assistência social, saúde e habitação.
Esse talvez seja o aspecto mais brilhante de sua visão. A Fundação não vive de doações públicas nem de campanhas para arrecadar recursos. Ela é sustentada pelos dividendos gerados pelas próprias empresas deixadas por Salvador Arena. Em outras palavras, o patrimônio continua produzindo riqueza, as empresas continuam empregando milhares de pessoas, pagando impostos, inovando e competindo no mercado, enquanto os resultados financeiros são reinvestidos em benefício da sociedade.
É um modelo em que o capitalismo financia, de maneira permanente, a transformação social.Hoje, a Fundação Salvador Arena mantém um dos mais respeitados projetos educacionais do país. Seu Centro Educacional oferece ensino gratuito desde a educação infantil até a graduação e pós-graduação, além de uma escola técnica agropecuária e diversos programas de apoio a organizações sociais em todo o Brasil. Milhares de estudantes já receberam formação integral graças a um patrimônio que, por decisão de seu criador, jamais serviria para sustentar uma aristocracia familiar.
Quando comparo esse exemplo ao dos herdeiros bilionários que vivem apenas da renda produzida por gerações anteriores, percebo que o verdadeiro debate nunca deveria ser simplesmente "ser contra ou a favor dos bilionários". A questão é muito mais profunda.
O patrimônio acumulado está cumprindo uma função social? Continua gerando riqueza, empregos, conhecimento e oportunidades ou apenas financiando uma vida de privilégios para quem nada produziu?
Salvador Arena demonstrou que existe um terceiro caminho. É possível enriquecer produzindo, gerar milhares de empregos durante a vida e, depois da morte, fazer com que essa mesma riqueza continue trabalhando para a sociedade indefinidamente. Talvez esse seja um dos exemplos mais inteligentes de responsabilidade social empresarial já construídos no Brasil.
Outra crítica recorrente afirma que toda filantropia realizada por bilionários seria apenas estratégia de imagem. Certamente algumas ações possuem objetivos reputacionais. Mas afirmar que toda filantropia é falsa ignora resultados concretos.
A Bill & Melinda Gates Foundation investiu dezenas de bilhões de dólares em vacinação, combate à malária, pesquisa médica e programas educacionais. Segundo a própria fundação e organismos internacionais parceiros, esses investimentos contribuíram significativamente para ampliar campanhas globais de imunização e financiar pesquisas contra doenças negligenciadas.
Da mesma forma, diversos empresários brasileiros mantêm institutos voltados para educação, ciência, cultura e saúde. Isso elimina críticas às suas empresas? Não. Mas também não transforma automaticamente toda ação filantrópica em fraude moral.
Existe ainda um componente psicológico pouco discutido. Criticar riqueza tornou-se socialmente confortável.
Nas redes sociais, especialmente em ambientes corporativos, muitas vezes recebe mais reconhecimento quem demonstra indignação do que quem apresenta argumentos equilibrados.
É muito mais simples afirmar que toda riqueza é fruto de exploração do que estudar balanços financeiros, produtividade, cadeias globais de suprimentos, inovação tecnológica, economia internacional ou política monetária. A indignação exige poucos dados. A compreensão exige estudo.
Reconhecer que empresas geram empregos não significa defender desigualdade. Reconhecer o mérito empresarial não significa ignorar abusos. Reconhecer a importância do capital não significa aceitar privilégios.
Da mesma forma, defender maior justiça tributária não significa demonizar quem acumulou patrimônio de forma legítima. Essas posições não são incompatíveis. Pelo contrário. Sociedades maduras conseguem discutir simultaneamente inovação, produtividade, justiça social, concorrência, tributação e responsabilidade empresarial. Sociedades polarizadas preferem escolher um único culpado para todos os problemas.
Talvez a frase que iniciou toda essa discussão continue provocando justamente porque obriga as pessoas a confrontarem uma realidade incômoda.
Grandes empresas realmente geram empregos.Isso é um fato econômico.
Também é verdade que algumas acumulam poder excessivo, influenciam políticas públicas, podem explorar brechas tributárias e merecem fiscalização rigorosa. Essas duas afirmações podem coexistir.
O verdadeiro desafio intelectual consiste justamente em abandonar a tentação das respostas fáceis. O capitalismo produz riqueza. Também produz desigualdades. O Estado corrige falhas de mercado. Também pode criar ineficiências. Empresários impulsionam crescimento. Também podem cometer abusos. Nenhum desses fenômenos é absoluto.
Talvez o maior problema do nosso tempo não seja a existência de bilionários, mas a crescente disposição de transformar qualquer debate econômico em uma disputa entre santos e demônios.
Quando isso acontece, a análise desaparece.
E, no lugar da complexidade, resta apenas a confortável fantasia da indignação seletiva.
Referências bibliográficas
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- GATES FOUNDATION. Annual Reports e publicações institucionais sobre saúde global. https://www.gatesfoundation.org
- IBGE. Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo. https://www.ibge.gov.br
- OCDE (OECD). Tax Policy Studies e relatórios sobre tributação internacional. https://www.oecd.org/tax/
- SCHUMPETER, Joseph A. Capitalism, Socialism and Democracy. Harper & Brothers, 1942.
- SMITH, Adam. A Riqueza das Nações. 1776.
- U.S. Bureau of Labor Statistics. Business Employment Dynamics. https://www.bls.gov
- WORLD BANK. Doing Business (edições históricas) e indicadores de desenvolvimento econômico. https://www.worldbank.org
- Relatórios anuais da Amazon, Walmart, Apple e demais companhias citadas, disponíveis em suas áreas de Relações com Investidores.
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